Lições com leitura, conteúdo organizado e 20 exercícios randômicos.

Lição da matéria Língua Portuguesa
Língua Portuguesa 21/04/2026 100 questão(ões) ativa(s)

Da frase ao texto — gramática, sentido e leitura

Da frase ao texto — gramática, sentido e leitura

Esta lição foi organizada em 10 blocos progressivos, cobrindo todos os conteúdos do 1º trimestre de Língua Portuguesa do 7º ano. O ponto de partida é sempre o texto — literário, jornalístico, visual ou multimodal —, porque a gramática ganha sentido quando estudada em uso.

A oração — a menor unidade de sentido completo

Bloco 1

Toda vez que você lê uma frase como "O Rio transbordou" ou "Hermione abriu o livro", você está diante de uma oração. Uma oração é um enunciado que contém um verbo (ou uma locução verbal) e transmite uma ideia com sentido completo. Ela é a unidade fundamental da sintaxe — o ramo da gramática que estuda como as palavras se organizam para construir significado.

A estrutura básica de uma oração tem três partes principais:

- SUJEITO: quem pratica ou sofre a ação, ou sobre quem se faz uma declaração.

- PREDICADO: o que se diz sobre o sujeito (sempre contém o verbo).

- COMPLEMENTO: o que completa o sentido do verbo, quando necessário.


Veja este trecho do conto "A Cartomante", de Machado de Assis:
"Vilela chamou o amigo."
Sujeito: Vilela | Predicado: chamou o amigo | Complemento (objeto direto): o amigo

Reconhecer essa estrutura em qualquer texto é o primeiro passo para interpretar bem — e para escrever com mais clareza.

SUGESTÃO DE REFLEXÃO: Você já percebeu que, quando uma frase está confusa, quase sempre é porque sujeito e predicado estão mal encaixados? Tente reescrever uma frase longa de um texto que você leu recentemente, identificando claramente quem faz o quê.


EXEMPLOS:
1. "Os jogadores comemoraram o gol." ? Sujeito: Os jogadores | Predicado: comemoraram o gol
2. "Chove muito em abril." ? Oração sem sujeito (fenômeno da natureza)
3. "Vencemos!" ? Sujeito oculto/desinencial: nós (indicado pela desinência verbal -mos)

EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):
Leia o trecho abaixo, extraído de "O Cortiço", de Aluísio Azevedo, e identifique, em cada oração, o sujeito e o predicado:

"A manhã raiou esplêndida. Os trabalhadores saíram cedo. O sol aqueceu as pedras."

Quem está por trás do verbo?

Bloco 2

O sujeito pode se apresentar de formas diferentes dependendo de como o falante ou escritor organiza sua mensagem. Conhecer esses tipos é essencial para analisar textos com mais precisão.

TIPOS DE SUJEITO:

1. SUJEITO SIMPLES: tem apenas um núcleo.
Ex.: "Malala Yousafzai ganhou o Nobel da Paz em 2014."

2. SUJEITO COMPOSTO: tem dois ou mais núcleos.
Ex.: "Malala e Greta Thunberg inspiram jovens no mundo todo."

3. SUJEITO OCULTO (elíptico/desinencial): não está escrito, mas é identificado pela desinência verbal.
Ex.: "Lutamos pelos nossos direitos." ? sujeito oculto: nós

4. SUJEITO INDETERMINADO: não se pode ou não se quer identificar quem pratica a ação.
Ex.: "Falaram mal do presidente." / "Precisa-se de ajuda."

5. ORAÇÃO SEM SUJEITO: verbos impessoais — fenômenos naturais, "haver" com sentido de
existir/ocorrer, "fazer" indicando tempo ou clima.
Ex.: "Nevou em São Paulo em 2013." / "Há muitos problemas a resolver."

SUGESTÃO DE REFLEXÃO: Por que usamos o sujeito indeterminado? Pense em manchetes de jornal como "Preso suspeito de fraude" — quem prendeu? A indeterminação pode ser uma escolha estratégica do texto, não um erro.

EXEMPLOS CONTEXTUALIZADOS:

- "BTS e Blackpink dominaram as paradas musicais em 2022." ? Sujeito composto

- "Está chovendo desde ontem." ? Oração sem sujeito

- "Comentaram que o filme era fraco." ? Sujeito indeterminado


EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):
Classifique o sujeito de cada oração abaixo:
a) "Choveu durante toda a Copa do Mundo de 2014."
b) "Harry Potter e Hermione Granger enfrentaram inúmeros desafios."
c) "Bateram à porta às três da manhã."
d) "Estudei a noite toda."
e) "Há muitas histórias por contar."

O predicado e o que ele revela sobre o sujeito

Bloco 3

O predicado é tudo o que se diz sobre o sujeito. Mas não é uma parte uniforme da oração — ele pode ser de três tipos, dependendo de qual é o papel central do verbo na frase.

TIPOS DE PREDICADO:

1. PREDICADO VERBAL: o verbo é de ação (transitivo ou intransitivo). O núcleo é o VERBO.
Ex.: "Clarice Lispector escreveu romances profundos."
Núcleo do predicado: escreveu

2. PREDICADO NOMINAL: o verbo é de ligação (ser, estar, ficar, parecer, etc.) e conecta o sujeito a um predicativo. O núcleo é o PREDICATIVO DO SUJEITO (um adjetivo ou substantivo).
Ex.: "A narrativa é intensa."
Núcleo do predicado: intensa (predicativo do sujeito)

3. PREDICADO VERBO-NOMINAL: há dois núcleos — um verbo de ação E um predicativo.
Ex.: "Os atletas chegaram exaustos."
Núcleos: chegaram (verbo) + exaustos (predicativo do sujeito)

SUGESTÃO DE REFLEXÃO:

Quando um escritor diz "Ela partiu calada", está escolhendo um predicado verbo-nominal. Isso significa que dois estados coexistem: a ação de partir e o estado de estar calada. Esse recurso torna a escrita mais densa. Você consegue encontrar exemplos assim em letras de música?



EXEMPLOS COM CULTURA POP:

- "Beyoncé lançou o álbum 'Renaissance'." ? Predicado verbal

- "O álbum foi revolucionário." ? Predicado nominal

- "Os fãs saíram entusiasmados do show." ? Predicado verbo-nominal



EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):
Leia o trecho abaixo e classifique o predicado de cada oração destacada:

[Os astronautas da ISS vivem em condições extremas.]

[O ambiente é tecnicamente sofisticado.]

[Eles retornam à Terra esgotados após meses de missão.]


Imagem complementar

Bloco 4
Imagem complementar

O verbo pede companhia? Depende!

Bloco 5

Dentro do predicado verbal, o verbo pode ou não precisar de um complemento para completar seu sentido. Essa característica chama-se TRANSITIVIDADE VERBAL.

CLASSIFICAÇÃO DOS VERBOS QUANTO À PREDICAÇÃO:

1. VERBO INTRANSITIVO (VTI): tem sentido completo sozinho. Não pede complemento.
Ex.: "O bebê dormiu." ? dormiu não precisa de complemento.

2. VERBO TRANSITIVO DIRETO (VTD): pede complemento sem preposição (objeto direto).
Ex.: "Ela leu o livro." ? O quê ela leu? O livro = objeto direto.

3. VERBO TRANSITIVO INDIRETO (VTI): pede complemento com preposição obrigatória (objeto indireto).
Ex.: "Ele gosta de música." ? Gosta de quê? De música = objeto indireto.

4. VERBO TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO (VTDI): pede os dois complementos.
Ex.: "A professora enviou a tarefa aos alunos."
OD: a tarefa | OI: aos alunos

5. VERBO DE LIGAÇÃO (VL): liga o sujeito ao predicativo. Não exprime ação.
Ex.: "O céu ficou nublado." ? ficou é verbo de ligação.

SUGESTÃO DE REFLEXÃO:

A transitividade não é fixa para todos os verbos — ela depende do contexto. "Correr" pode ser intransitivo ("Ela corre todo dia") ou transitivo direto ("Ela correu 10 km"). Como o contexto muda o sentido? Isso importa muito na interpretação de textos.

EXEMPLOS COM REFERÊNCIAS HISTÓRICAS:

- "Napoleão conquistou grande parte da Europa." ? VTD | OD: grande parte da Europa

- "Os soldados resistiram bravamente." ? VI

- "A Revolução Francesa resultou em mudanças profundas." ? VTI | OI: em mudanças profundas



EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):
Classifique o verbo destacado em cada frase e identifique os complementos, quando houver:
a) "Mandela lutou contra o apartheid."
b) "O Brasil sediou a Copa do Mundo em 2014."
c) "A criança sorriu."
d) "Os cientistas enviaram dados à NASA."
e) "A Terra pertence a todos."

Imagem complementar

Bloco 6
Imagem complementar

Duas orações, um período — as coordenadas

Bloco 7

Quando um período é formado por duas ou mais orações independentes entre si — ou seja, cada uma tem sentido próprio e não depende sintaticamente da outra —, temos o PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. Essas orações são chamadas de ORAÇÕES COORDENADAS.

Elas podem ser:
- ASSINDÉTICAS: não há conjunção ligando-as (ligadas apenas por vírgula ou ponto e vírgula).
Ex.: "Chegou, viu, venceu." (frase atribuída a Júlio César)

- SINDÉTICAS: ligadas por uma conjunção coordenativa, que indica a relação de sentido:
? Aditiva (e, nem): "Ela estudou e passou."
? Adversativa (mas, porém, contudo, todavia): "Tentou, mas não conseguiu."
? Alternativa (ou...ou, ora...ora): "Ou você faz a lição, ou fica sem recreio."
? Conclusiva (logo, portanto, então): "Pensou, logo existiu." (Descartes, adaptado)
? Explicativa (porque, pois, que): "Corra, pois o tempo está passando."

SUGESTÃO DE REFLEXÃO: As conjunções coordenativas são conectores lógicos do pensamento. Na escrita jornalística, o uso de "mas" e "porém" indica oposição de ideias. Observe manchetes e editoriais — você vai encontrar coordenação o tempo todo.


EXEMPLOS COM TEXTO JORNALÍSTICO:
Manchete adaptada de portal de notícias (2024):
"A temperatura subiu, mas as praias continuaram cheias; o verão recusou-se a terminar."
- 3 orações coordenadas: assindética + adversativa + (implícita)

EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):

Leia o trecho abaixo e responda:

"Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil em 1500, mas os povos indígenas já habitavam essas terras há milênios. Eles tinham línguas, culturas e histórias próprias, portanto a chegada dos portugueses representou um encontro — e também um conflito — entre mundos."


a) Quantos períodos há no trecho?
b) Identifique as conjunções coordenativas e classifique-as.
c) Retire uma oração coordenada assindética.

---

Imagem complementar

Bloco 8
Imagem complementar

O verbo no tempo certo — modos, tempos e concordância

Bloco 9

O verbo é a peça mais dinâmica da língua. Ele não apenas expressa ação, estado ou fenômeno — ele também situa esse evento no TEMPO e revela a ATITUDE do falante em relação ao que diz.

MODOS VERBAIS:
- INDICATIVO: exprime certeza, fatos reais ou habituais.
Ex.: "Ela estuda todos os dias."
- SUBJUNTIVO: exprime dúvida, hipótese, desejo, possibilidade.
Ex.: "Espero que ela estude." / "Se eu pudesse, viajaria."
- IMPERATIVO: exprime ordem, pedido, conselho.
Ex.: "Estude mais!" / "Por favor, ouça com atenção."

TEMPOS VERBAIS (indicativo):
Presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente,
futuro do pretérito.

CONCORDÂNCIA VERBAL:
O verbo deve concordar com o sujeito em número e pessoa.
- Sujeito simples, singular ? verbo no singular: "A aluna respondeu."
- Sujeito composto ? verbo no plural (geralmente): "Aghata e Raquel estudaram juntas."
- Sujeito coletivo ? verbo no singular: "A turma saiu cedo."
- "Mais de um" ? verbo pode ir para o plural: "Mais de um aluno responderam."

SUGESTÃO DE REFLEXÃO:

Nos comentários de redes sociais e em mensagens de WhatsApp, os erros de concordância são frequentes — mas isso não é apenas "desleixo". Muitas vezes reflete variações regionais e sociais da língua. A gramática normativa é uma ferramenta, não um julgamento de valor sobre quem você é. Como você escolhe usar a língua em diferentes contextos?


EXEMPLOS:
- "Os países do G20 assinaram o acordo." ? concordância correta, sujeito composto
- "Faz dois anos que não chove nesse sertão." ? verbo "faz" impessoal, não concorda com sujeito
(trecho inspirado em "Vidas Secas", Graciliano Ramos)

EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):

Corrija as frases abaixo, ajustando a concordância verbal, e indique o modo e tempo verbal:

a) "Os alunos foi ao museu."

b) "Fazem dez anos que minha avó partiu."

c) "Se eu soubesse a resposta, eu te falarei."

d) "A maioria dos estudantes gostaram da aula."

Ah! Oh! Ufa! — As interjeições e a expressão dos sentimentos

Bloco 10

"Eureka!" — conta a lenda que Arquimedes gritou isso ao descobrir o princípio do empuxo. "Aleluia!" — entoado em momentos de celebração há séculos. "Eita!" — expressão popular nordestina que virou meme nacional. O que todas essas palavras têm em comum?

São INTERJEIÇÕES: palavras (ou locuções interjetivas) que expressam sentimentos, emoções e reações de forma espontânea e intensa. Elas funcionam como orações por si só — condensam um estado emocional em um único vocábulo.

CLASSIFICAÇÃO:
- Alegria: "Eba!", "Viva!", "???!"
- Dor/lamento: "Ai!", "Ui!"
- Surpresa: "Nossa!", "Caramba!", "Wow!"
- Ordem/chamado: "Psiu!", "Ei!"
- Desejo: "Oxalá!", "Tomara!"
- Alívio: "Ufa!", "Menos mal!"
- Aprovação: "Muito bem!", "Parabéns!"
- Silêncio: "Shh!", "Psiu!"

Na oralidade, as interjeições são marcas da língua viva. Em charges, HQs e memes, elas aparecem em onomatopeias e balões de fala — são recursos gráfico-visuais que constroem sentido.

SUGESTÃO DE REFLEXÃO:

Em "Vidas Secas", Graciliano Ramos praticamente elimina interjeições da fala das personagens. Fabiano fala pouco, sente muito. Esse silêncio expressivo também é uma escolha linguística. O que a ausência de interjeições pode dizer sobre uma personagem?


EXEMPLOS EM DIFERENTES GÊNEROS:
- HQ "Turma da Mônica": "CRASH!", "ZAP!", "BUMBA!" ? onomatopeias/interjeições visuais
- Meme viral (2023): "Aí não dá, né!" ? interjeição de reprovação em linguagem informal
- Música "Aquarela", Toquinho: "Oh, vida!" ? interjeição de contemplação

EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):

Leia o diálogo abaixo e identifique todas as interjeições, classificando cada uma:

"— Ei! Você viu o resultado da prova?
— Não... Ai, que susto você me deu!
— Ufa, passei! E você?
— Oxalá eu tenha passado também. Ainda não vi.
— Vai lá ver! Nossa, que suspense!"

Ler imagens também é ler — gêneros visuais e multissemióticos

Bloco 11

Nem todo texto é feito de palavras. HQs, charges, cartuns e memes combinam linguagem verbal e linguagem visual para construir sentido. Ler esses textos exige atenção redobrada — você precisa interpretar imagem, cor, expressão facial, tamanho da letra, enquadramento e contexto sociocultural ao mesmo tempo.

CARACTERÍSTICAS DE CADA GÊNERO:

HQ (história em quadrinhos):
- Sequência narrativa em quadros.
- Personagens recorrentes, diálogos em balões, onomatopeias.
- Pode ser de aventura, humor, crítica social.
- Ex.: "Mafalda" (Quino), "Watchmen" (Alan Moore), "Turma da Mônica Jovem".
calvin.pngCHARGE:
- Imagem única (raramente sequência).
- Crítica política ou social de um fato ATUAL e específico.
- Usa caricatura, ironia e símbolo.
- É datada: perde sentido se você não conhece o contexto.
charge.png
CARTUM:
- Parecido com a charge, mas trata de temas UNIVERSAIS e atemporais (vaidade, preguiça,
burocracia, amor, morte).
- Não depende de um fato específico para ser compreendido.

cartum.png

MEME:
- Gênero digital nativo, de circulação rápida.
- Combina imagem e texto curto com humor, ironia ou crítica.
- Altamente intertextual: usa referências de filmes, séries, músicas, notícias.
- Ex.: memes baseados em cenas de "Stranger Things", "La Casa de Papel" ou eventos esportivos.

meme.jpg

RECURSOS QUE CONSTROEM SENTIDO:
- Tipografia (tamanho e estilo da letra)
- Cores e contrastes
- Expressões faciais e corporais
- Onomatopeias
- Intertextualidade (referência a outros textos)

SUGESTÃO DE REFLEXÃO: Uma charge sobre a seca no Nordeste publicada em 1920 e outra publicada em 2024 usam os mesmos recursos visuais — mas têm contextos totalmente diferentes. Como o conhecimento de mundo interfere na leitura de textos visuais?

EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):

Escolha um meme ou charge que você tenha visto recentemente e responda:

a) Qual é o gênero textual?
b) Qual sentimento ou ideia ele quer transmitir?
c) Que recursos visuais e verbais ele usa? }
d) Qual é o contexto necessário para entendê-lo?

A aventura como espelho — valores, mundos e personagens

Bloco 12

A narrativa de aventura é um dos gêneros mais antigos da literatura. De "A Odisseia", de Homero (séc. VIII a.C.), às viagens de Phileas Fogg em "A Volta ao Mundo em 80 Dias" (Júlio Verne, 1872), passando por "O Alquimista" (Paulo Coelho, 1988) e "Percy Jackson" (Rick Riordan, 2005) — o ser humano sempre quis ler sobre jornadas, desafios e superação.

ELEMENTOS DA NARRATIVA DE AVENTURA:
1. HERÓI (ou heroína): personagem central que enfrenta desafios.
2. JORNADA: deslocamento físico ou simbólico, com obstáculos.
3. ANTAGONISTA ou ADVERSIDADE: o que se opõe ao herói.
4. ALIADOS: personagens que ajudam na jornada.
5. TRANSFORMAÇÃO: o herói muda ao longo da narrativa.
6. VALORES EM JOGO: coragem, lealdade, justiça, liberdade — o texto sempre carrega uma visão de mundo.

VALORES SOCIAIS E CULTURAIS NA AVENTURA:
Ao analisar uma narrativa de aventura, pergunte:
- Quem é o herói e de onde ele vem? (classe social, gênero, etnia)
- Que valores ele representa?
- A narrativa reforça ou questiona estereótipos?

Ex.: Em "Odisseia", Ulisses é valorizado pela inteligência, não apenas pela força. Em "Moby Dick" (Melville), a obsessão do Capitão Ahab revela os limites da ambição humana. Em "Capitães da Areia" (Jorge Amado), os heróis são crianças pobres de Salvador — uma escolha que desafia a ideia clássica de herói.

SUGESTÃO DE REFLEXÃO: Os heróis e heroínas das narrativas que você lê se parecem com você? Com pessoas que você conhece? A representação importa — ela diz ao leitor quem pode ser protagonista.


EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):
Escolha uma narrativa de aventura que você conhece (livro, filme, série ou jogo) e responda:
a) Quem é o protagonista? Que valores ele representa?
b) Qual é o principal obstáculo da jornada?
c) O que muda no protagonista ao final?
d) Que visão de mundo o texto transmite?

A reportagem e a arte de informar — coesão, estratégia e neutralidade

Bloco 13

A reportagem é um dos gêneros jornalísticos mais completos. Diferente da notícia, que apenas informa um fato pontual, a reportagem investiga, contextualiza, traz múltiplas vozes e aprofunda um tema. Lê-la com atenção é um exercício de cidadania.

ESTRUTURA DA REPORTAGEM:
- TÍTULO e SUBTÍTULO: apresentam o tema, devem atrair e informar.
- LEAD (primeiro parágrafo): responde às perguntas essenciais — Quem? O quê? Quando? Onde? Por quê? Como?
- DESENVOLVIMENTO: contextualização, dados, entrevistas, causas e consequências.
- DESFECHO: considerações finais, perspectivas futuras ou chamada à ação.

RECURSOS DE COESÃO:
São os elementos que "costuram" o texto, mantendo-o coeso (sem repetições desnecessárias, sem contradições):
- Pronomes (ele, ela, isso, aquilo)
- Sinônimos e hiperônimos
- Conjunções (portanto, entretanto, além disso)
- Elipse (omissão de um termo já conhecido)

ESTRATÉGIAS DE CONVENCIMENTO E NEUTRALIDADE:
- Uso de dados e estatísticas ? credibilidade
- Citação de especialistas ? autoridade
- Vozes plurais (entrevistados de lados opostos) ? equilíbrio
- Linguagem impessoal ? aparência de neutralidade
Atenção: neutralidade total é impossível. Toda escolha de pauta, palavra e fonte revela um ponto de vista.

SUGESTÃO DE REFLEXÃO: Em 2024, diversas reportagens cobriram as enchentes no Rio Grande do Sul. Algumas focaram nos números (desabrigados, prejuízos); outras focaram nas histórias humanas; outras debateram as políticas públicas. Mesmos fatos, ângulos diferentes. Qual desses ângulos você considera mais importante? Por quê?

EXERCÍCIO DO BLOCO (para fazer no papel):
Leia a reportagem abaixo (adaptada) e responda as questões:

JOVENS BRASILEIROS LIDERAM PROJETOS DE IMPACTO AMBIENTAL

Por Redação — Abril de 2025

Mais de 3.000 jovens entre 12 e 18 anos participam atualmente de projetos de recuperação ambiental em biomas ameaçados, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente.

Entre eles, estão adolescentes do Cerrado que plantaram mais de 10.000 mudas nativas em 2024. 'Não esperamos ter idade suficiente para agir', disse Ana Luíza, 14 anos, líder de um dos grupos.

A iniciativa contou com apoio de ONGs, escolas públicas e universidades federais."


a) Identifique os elementos do lead.
b) Qual recurso de coesão aparece no segundo parágrafo?
c) A reportagem apresenta mais de uma voz? Justifique.
d) Existe alguma estratégia de convencimento? Qual?